segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

ALENTEJO - Mundo velho / Mundo novo

Artur Pastor
São imagens fortes, a preto e branco, que nos trazem o país que fomos há 50, 60 anos. Os mais velhos reconhecem-lhe as sombras e a rudeza dos contornos, e confirmam que era assim. Os mais novos, que não viveram esses tempos, hesitam entre a atração e a repulsa, e pensam que devia ser assim. Artur Pastor, o autor das fotografias, nasceu em Alter do Chão e viveu entre 1922 e 1999. Regente agrícola de profissão, depois engenheiro técnico agrário, apaixonou-se pela fotografia em Évora, cidade onde passou a sua juventude e a que toda a vida esteve ligado. Mostrou o seu trabalho pela primeira vez em 1946, em Faro, numa exposição itinerante a que deu o título de “Motivos do Sul”, onde já estão patentes os temas centrais da sua obra: o mundo rural, o trabalho agrícola e a paisagem urbana. Esta e outras mostras, em Lisboa e noutras cidades, tornam o seu trabalho conhecido. No final dos anos 40, e apesar de relativamente novo, Artur Pastor goza já de um merecido reconhecimento como artista fotográfico. Ingressa em 1953 na Repartição de Estudos, Informação e Propaganda da Direção Geral dos Serviços Agrícolas, em Lisboa, na qual passa a desempenhar funções de “regente agrícola fotógrafo”. Nesta qualidade, percorre o país e colhe milhares de imagens que constituem um espantoso “retrato” da paisagem e das gentes da época. Fruto do contexto histórico em que viveu, o trabalho de Artur Pastor dá testemunho dos últimos suspiros do “mundo velho”, representado pela produção agrícola artesanal e pelas vivências sociais com ela relacionadas, e anuncia o “mundo novo” que a mecanização da agricultura representa.À margem da fotografia “profissional”, Artur Pastor desenvolve um intenso labor como fotógrafo artístico. Em 1958 e 1965 publica dois álbuns temáticos, “Nazaré” e “Algarve: Portugal”, com admiráveis fotografias a preto e branco do litoral português. O seu trabalho é reconhecido a nível internacional, com a publicação de fotografias suas em jornais e revistas de referência. Artur Pastor, o “grande domador da Rolleiflex”, como lhe chamava o seu amigo Augusto Cabrita, outro nome marcante da fotografia em Portugal, manteve até ao fim da vida uma postura de “franco-atirador”, desligado de grupos e trilhando um caminho próprio. “Volvidos 60 anos, olhamos para estas imagens com a maior admiração, não só pela frontalidade e clareza, mas igualmente porque Pastor conservou, pela fotografia, um mundo que hoje morreu ou de que restam raros vestígios em Portugal”, escreve Luís Pavão no catálogo da exposição que o Arquivo Municipal de Lisboa lhe dedicou, depois da autarquia lisboeta ter adquirido o espólio do fotógrafo à sua família. Este ano, no âmbito dos Encontros de Fotografia de Lagoa, foi organizada a exposição “O Algarve de Artur Pastor”, uma interessante mostra da visão do artista sobre o espaço algarvio. Responsáveis pelo turismo no Alentejo e autarcas da região manifestaram já interesse em divulgar as fotografias de Artur Pastor sobre a região, declarou ao “Diário do Alentejo” um dos filhos do fotógrafo.Texto: Alberto Franco